quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Gobo: vista seu melhor traje

Lá fui eu, depois de um dia inteiro batendo perna, de mochila nas costas, adentrar este fino restaurante perto do Meatpacking District (local famoso pelas boates caras e lojas de estilistas descolados). Mas fui eu que me senti descolada da realidade: lá dentro, um povo arrumado que só, cheirando a muito dinheiro. Mas tudo bem, eu só ia comer uma entradinha mesmo e ir embora, já que os preços são um pouco abusivos pro meu orçamento.

O ambiente de lá é bem festivo, muito barulho de gente conversando e o povo sentado em uma grande mesa comunitária. Do salão pode-se ver a cozinha, toda pilotada por chefs orientais, e o trabalho rolando lá dentro.

Pedi uns espetinhos de seitan com molho de mostarda e chá verde. O que me impressionou bastante durante essa viagem, foi como Nova York tem uma tradição de elevar a produção de seitan a um nível nunca antes imaginado por mim. Como se pode notar pela foto, este seitan é bem diferente dos que costumamos ver em Brasília (ou no Brasil em geral). Estava uma delícia, com uma casquinha defumada de quem provavelmente foi feito na brasa.

Recomendo o Gobo para quem quiser aumentar o nível do jantar ou para uma ocasião especial em que não há muita preocupação com o dinheiro (vai que você planeja ficar noivo em NY, né?), mas também não é um preço absurdo e não-pagável, a questão é que as porções não são muito grandes, então provavelmente antes do prato principal será necessário pedir uma entrada.

Visite e conheça o cardápio: http://www.goborestaurant.com/

Sacred Chow: oásis na babilônia





Este pequeno e charmoso restaurante no Village, bairro descoladíssimo de NY, é um verdadeiro achado. Mais um da lista “recomendo fortemente pra quem for a Nova York”. Não perca!

A logo do Sacred Chow é uma vaca meditando, e o nome tem relação com “vaca sagrada” (“sacred cow”). O dono do estabelecimento, antigo chef e confeiteiro do Candle Café (anteriormente citado aqui no blog), resolveu que deveria partir para voo solo e abriu o próprio café. No início, o Sacred Chow não era vegano pois servia alguns laticínios, o que não condizia com o conceito da vaca sagrada... No entanto, com o tempo, eles passaram a ser veganos, majoritariamente orgânicos e comprometidos com os direitos humanos (os ingredientes tropicais utilizados são provenientes de comércio justo).

O simples fato de entrar no café causa uma tranquilidade imediata que raramente se encontra nessa grande metrópole. Uma grande fonte de água corre no canto do salão. A iluminação é na medida certa, bem leve. A atendente, um amor de criatura e filha de brasileira, fala tranquilamente e tem toda paciência do mundo pra explicar coisas e esperar a decisão do cliente (fato quase inexistente nos EUA).

O forte do cardápio são os tapas – palavra espanhola para tira-gostos. Tem diversas opções, e cada porção é do tamanho de um prato de sobremesa. Se pedir três, o preço unitário sai mais barato.

Outro forte é a confeitaria: a seleção se sobremesas é inacreditável (cookies, brownie com sorvete, bolos, cupcakes, docinhos, macaroons, sundae, crumble de frutas...).

Eles também servem sanduíches, saladas e deliciosas opções de brunch aos fins de semana.

Aqui a comida é mais caseira mesmo (toda feita lá), nada das carnes falsas compradas na loja oriental e recicladas na cozinha (eu já tava meio cansada dos cardápios repetitivos dos restaurantes veganos, que se baseiam nessas carnes falsas). No máximo, um seitan (nossa conhecida “carne de glúten”), mas eles também fazem por lá.

Bom, vamos ao que eu pedi (de cima para baixo):

  • Dijon marinated raw kale: um tipo de couve crespa que tem por aqui, crua e marinada no molho de mostarda dijon e maple syrup. Delícia total, raspei o prato (sem falar que fazia tanto tempo que eu não comia algo cru/vivo que meu organismo estava quase definhando).

  • Root vegetable latkes with Indonesian date butter: latkes (essas panquequinhas) de tubérculos com manteiga de tâmaras indonésia

  • Black olive seitan: imaginei que esse seitan viria com um molho de azeitonas pretas ou algo do tipo, mas qual não foi a minha surpresa ao sacar que a massa do glúten já é feita com elas, então é um seitan sabor azeitonas pretas. Bem inovador!

  • Bolo trufado de chocolate: tá eu tenho que admitir isso pro mundo: essa foi a melhor sobremesa vegana que comi na vida. Fiquei aqui dias pensando se eu não estava em dúvida entre este bolo e a sobremesa que comi no Candle 79 (será postada em breve), mas esse bolo trufado não tem comparação. É um exagero de gostoso. Tanto chocolate que nem consegui terminar. E essas nozes caramelizadas por cima... Quero nem ficar lembrando.


Ai, comi demais!!!!

Para conhecer essa maravilha de Sacred Chow, veja: http://sacredchow.com/

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Red Bamboo com Andréa (do blog Brazil Nut)





Pra quem já deu uma olhadinha ali no canto da página, existem alguns blogs e sites que eu recomendo que todos visitem. Um deles é o Brazil Nut, da Andréa N., paulista que mora em Nova York há oito anos.

Andréa, como boa vegana, entende muito bem de comida. E o marido dela faz pratos maravilhosos que ela fotografa e posta no blog (segundo Andréa, agora ela está se animando mais a também se aventurar na cozinha).

Nos conhecemos pelos nossos blogs e resolvi aproveitar a passagem por NY para conhecê-la pessoalmente para trocar figurinhas veganas.

Combinamos um jantar no Red Bamboo, um vegetariano (não vegano) da minha listinha de restaurantes a conhecer.

O Red Bamboo também tem um apelo soul food (tipo de comida já descrito aqui no blog). Muitas carnes falsas, empanados, frituras, sanduíches... Aquelas velhas delícias!

Eu fui de sanduíche de berinjela à parmegiana (empanada, com molho de tomate e queijo vegano), porque não estava com muita fome. Ledo engano. Era o maior sanduíche que já vi na vida, chega levei um susto. Levei metade pra casa.

Andréa foi de frango falso, também à parmegiana. É um dos pratos preferidos dela! Ela também costuma pedir esse mesmo prato em um outro restaurante que esqueci o nome...

De sobremesa, pedi o (un)cheesecake com cobertura de framboesa porque queria muito prová-lo, mas nós mal conseguimos comer o pobre coitado de tão denso e doce que ele era (gosto mais do que eu faço, bem mais leve...).

Conclusão: se algum dia você for ao Red Bamboo, assegure-se de que está com bastante fome.

Andréa, foi super legal te conhecer e trocar uma ideia! Espero nos encontrarmos em breve no Brasil, hein?

(na foto final, eu e Andréa)

Para ver o menu do Red Bamboo, visite: http://www.redbamboo-nyc.com/

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Lojas de roupas e acessórios veganos






Tá, eu sei, roupas e acessórios não são comida e portanto não deveriam estar nesse blog, totalmente dedicado aos prazeres de se encher a pança eticamente.

Mas muitos veganos (em geral, mulheres), sonham com o dia em que o mundo da moda será completamente desprovido de produtos animais e eles tenham toooooda uma loja de sapatos lindos e maravilhosos para escolher, sem o constrangimento de ter que ficar cheirando os ditos cujos para saber se é couro ou sintético (quem nunca fez isso que atire a primeira pedra).

Pois bem, em Nova York existem duas opções totalmente veganas: a Mooshoes, que oferece sapatos, bolsas, cintos, carteiras, e a NY Artificial (NYA), com roupas, bolsas, cintos e acessórios num estilo mais alta roda da sociedade, com muitas imitações de pele super bem feitas.

A Mooshoes (“moo”, ou “mu”, da vaquinha) vende produtos diversas marcas americanas e européias. Uma das mais bonitas e bem feitas, é a Novacas (de “não-vacas”), marca portuguesa. Aliás, Portugal tem várias iniciativas veganas muito legais.

A NYA é uma ecoloja, ou seja, não vende couro por conta da toxicidade dos produtos utilizados na sua produção (e não exatamente por ativismo vegano). O dono, Alex, um cara muito legal, me contou que eles mesmos produzem grande parte dos produtos (as peles falsas inclusive) no porão da loja, além de comprarem apenas de marcas que eles sabem que não utilizaram mão-de-obra na China, Tailândia, Taiwan, etc, pois via de regra é trabalho semi-escravo.

Por isso a dificuldade que Alex encontra para vender sapatos: nos EUA praticamente não existe produção de sapatos (ainda mais que não sejam de couro), todas as marcas têm suas fábricas em países asiáticos.

A NYA vende roupas e acessórios de alguns estilistas brasileiros radicados em NY.

Nas fotos, de cima para baixo: fachada e prateleiras da Mooshoes, um dos dois gatinhos que mora na loja e estrela alguns dos comerciais (e que me arranhou bonito), fachada e interior da NYA (Alex no canto esquerdo).

Mooshoes e NYA enviam seus produtos para qualquer lugar do mundo, visite os sites para conhecer: http://mooshoes.com/ e http://nyartificial.com/.

Existem também outras lojas de sapatos veganos na internet, procure!

domingo, 25 de outubro de 2009

Babycakes: confeitaria vegana e meiga



O Baycakes tem uma proposta visual super baby: nome meigo, tons pastel, e uniformes-gracinha para os funcionários (com direito à gravata borboleta).

Pena que o atendimento não é tão meigo quanto o visual (mas também por aqui é bem difícil achar alguém meigo e fofo).

Nenhum dos produtos contêm soja. Muitos são livres de glúten e/ou de açúcar (são adoçados com néctar de agave).

Foi um alívio finalmente comer um cupcake cuja cobertura eu mordia e não sentia os cristais de açúcar sendo esmagados (porque aqui qualquer sobremesa é lotada de açúcar). Provei cupcake de maçã com cobertura de blueberry e mini-brownies fofuras.

O lugar é uma gracinha e recomendo para quem tá louco por uma sobremesa mas quer fugir do açúcar excessivo.

Existe um livro homônimo lançado pela dona da loja, com as receitas dos produtos servidos lá.

Para conhecer: http://www.babycakesnyc.com/

Vegetarian Dim Sum House: comida tipicamente cantonesa





E, é claro, tinha que ser em Chinatown! Esse bairro de NY é um local que pode ser bastante desagradável para veganos, por conta da quantidade de animais servida nos restaurantes locais (alguns expostos vivos, como as lagostas) e, pior ainda, por conta dos animais mortos que ficam pendurados à venda nas lojas (ainda bem que não me deparei essa parte, mas várias pessoas me contaram).

Ainda bem que existe o Vegetarian Dim Sum House pra nos salvar! E pra quem tá a fim de uma comida típica mesmo, de verdade, do jeito que feita na China e sem ocidentalizações, é ótimo (mas também um pouco difícil de gostar à primeira prova, porque as coisas tem consistências estranhas).

Dim sum são os aperitivos que podem ser comidos no café da manhã, almoço e lanche em Hong Kong, Taiwan e outras partes do sul da China.

Por isto, neste restaurante, os fortes são as entradas: rolinhos, dumplings, arroz envolto em folha de lótus e outras diliças.

Pra começar, escolhi dois: turnip cakes (bolinhos grelhados feitos com um tipo uma raiz da família do nabo) e dumplings de vegetais ao vapor. A consistência era realmente estranha, os turnip cakes eram meio gelatinosos e os dumplings, puxentos, bem diferentes da versão americanizada servida pelo país afora.

De prato principal, pedi um arroz coberto com tofu, cogumelos e legumes. Na verdade, não gostei do tipo de tofu que eles usam, muito molenga.

Pra quem for visitar Chinatown, o Vegetarian Dim Sum House é parada obrigatória.

(não tem site)


Foodswings: fast food gordurento e delicioso





O Foodswings, em Williamsburg (Brooklyn), é um local que recomendo fortemente a todos que tiverem a oportunidade de vir a Nova York.

Pra quem gosta de hambúrguer, milk shake, nuggets e todas essas coisas maravilhosamente despreocupadas com a saúde, é um prato cheio (e beeeem menos prejudicial que fast foods convencionais).

A comida é boa que só e o milk shake, então, foi o melhor que tomei na vida (458 vezes melhor que os milk shakes feitos com leite e sorvete tradicionais).

O ambiente é estilo hardcore/rock'n'roll, com paredes pretas, pôsteres de banda e pixações por todo o canto. Bem aconchegante.

O cardápio tem de um tudo: vários tipos de hambúrguer, cachorro quente, sanduíches frios, saladas, wraps, chili, batatas fritas e sobremesas.

Quis provar novamente uma coisa que não costumo gostar: essas imitações de carne/frango/peixe. Pedi o filet of soul: “peixe” empanado e frito, queijo vegano, molho tártaro, alface e tomate no pão de hambúrguer. E ainda lancei um extra: molhinho de blue cheese vegano. Sucesso total.

The tank, o milk shake que escolhi, era simplesmente de sorvete de chocolate, cookies e peanut butter (manteiga de amendoim). Um absurdo. Uma afronta total à comida vegana sem graça servida pelos quatro cantos do nosso Brasil varonil.

De sobremesa... Uma porçãozinha de nuggets com molho barbecue. Huuuuummmmmm!!!!!

Para conhecer o Foodswings, visite: http://www.foodswings.net/