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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

V-Spot: teoricamente, comida latina


E pra finalizar minha aventura na grande metrópole cosmopolita, o último restaurante visitado por lá, o V-Spot, no Brooklyn, que me foi altamente recomendado pelo fato de servir comida latina vegana.

Ao chegar lá, me decepcionei um pouco com o cardápio que, apesar de interessante, de latino tinha bem pouco. Eu esperava vários pratos mexicanos, peruanos, bolivianos, argentinos, uruguaios, venezuelanos, quem sabe até uma coisinha brasileira!

Mas o cardápio é uma miscelânea de várias influências, mas onde predominam as preferências americanas – leia-se: sanduíches, hambúrgueres, massas. Mas tudo bem, desde que seja bom...

O problema é que me dei mal pedindo uma coisa muito comum, ao invés de ousar um pouco mais e pedir o único prato principal verdadeiramente latino da casa, a Bandeja Paisa, iguaria colombiana com chorizo, bife, arroz integral, feijão preto e plantains (que, pelas fotos no google me parecem uma banana-da-terra).

Acabei pedindo apenas uma entrada, já que a fome não era grande: Nachos, que eram tortillas de trigo cobertas com feijão preto, guacamole, carne de soja moída, sour cream e salsa mexicana. As tortillas tavam meio murchinhas, tadinhas...

Recomendo a quem for ao restaurante que se aventure e peça os poucos itens verdadeiramente latinos no cardápio!

Site: http://www.spreadvegan.com/index.htm

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Franchia: um lugar pra descansar




Essa fofa casa de chá coreana fica bem perto do Empire State (aquele prédio bem alto – falar isso em NY é redundante – no qual os turistas sobem pra ver a cidade).

O ambiente é muito tranquilo, bom pra relaxar depois de uma longa caminhada pela cidade.

A carta de chás é imensa, mas como não sou fã da bebida, não pedi nenhum e não vou poder recomendar pra vocês!

Além dos chás, o cardápio tem muitas entradas, pratos principais e sobremesas, todos de inspiração asiática.

Pedi rolinhos à primavera (nada como uma boa fritura) e um Pad Thai vegano. Este prato tailandês de macarrão é originalmente feito com ovos, molho de peixe, pimenta, coentro, amendoim e qualquer combinação de brotos de feijão, frango, camarão e tofu. O da foto era composto de legumes, tofu e amendoim, coentro (e um molho né, mas não deu pra identificar os ingredientes dele).

Eles também oferecem um menu de chá da tarde por um preço fixo com a bebida acompanhada de diversos aperitivos e sobremesas.

O Franchia é mais uma recomendação de lugar em que um almoço, lanche, chá ou jantar não podem dar errado.

Site: http://www.franchia.com/

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Candle 79: o ápice da viagem





Um dos grandes sonhos da minha vida era conhecer o Candle 79, desde que vi a propaganda do restaurante em uma revista gringa pela primeira vez, há alguns anos atrás.

Pelas propagandas e pelo site, parecia ser o melhor restaurante vegano do mundo!

E realmente é, dependendo do que você está buscando. O restaurante, que fica no Upper East Side (como já dito anteriormente, lugar mais rico de Manhattan), é de altíssimo nível e oferece pratos muito bem elaborados; no entanto, as porções são minúsculas, comparadas com o valor que é cobrado por elas.

A história do Candle 79 é muito interessante: seus proprietários conseguiram grande parte do dinheiro necessário para montar o negócio porque ganharam 53 mil dólares na loteria! Viu, pessoal? Ainda há esperança para quem sonha em abrir um negócio vegano!

Hoje em dia, é um dos mais famosos e aclamados veganos dos EUA: já ganhou diversos prêmios de melhor restaurante vegetariano da cidade e do país, e é frequentado por pessoas famosas como Woody Harrelson, Alicia Silverstone (atores veganos) e ninguém menos que Paul McCartney (que também é vegano e ativista de direitos dos animais).

O seitan (olha ele aqui de novo!) do Candle 79 ajudou a construir a tradição de ótimos seitans de NY. É tão famoso, que muitos dos pratos de lá levam o ingrediente, incluindo o prato-assinatura da casa, Seitan piccata (o preferido do ex-beatle!). Piccata é o molho por cima do seitan : manteiga vegana, limão e alcaparras, tudo servido sobre bolo de batatas grelhado e espinafre cremoso.

Bom, se é o preferido de sir McCartney, tive que pedir né... Apesar de sentir falta de um arrozinho, adorei!

De sobremesa, segui a sugestão do Vegan Guide to NYC e do garçom do Candle (aliás, só rapazes muito bem apessoados trabalhando por lá!): fui de chocolate-peanut butter bliss, um mousse cremoso de manteiga de amendoim coberto por uma deliciosa camada de chocolate meio-amargo e com um fundo-casca de chocolate, mais delicioso ainda.

Pequena, cara, mas tão sensacional que rivalizou na minha mente por dias pelo título de melhor sobremesa vegana do mundo com o bolo trufado do Sacred Chow até, infelizmente, perder para ele.

Se algum dia você for a Nova York, por favor, não cometa o crime de deixar de ir no Candle 79, ele definitivamente merece uma visita. E por favor, peça o chocolate-peanut butter bliss!

Conheça o cardápio: http://candle79.com/

Pure food and wine/ One lucky duck: comida viva



Para quem não conhece o conceito de alimentação viva, explico: é uma dieta que inclui apenas alimentos crus ou aquecidos até 40ºC; a explicação para tal é que até esta temperatura, as enzimas dos componentes nutricionais dos alimentos são integralmente preservadas e, portanto, integralmente consumidas. Os ingredientes são sempre frescos e não processados, preferencialmente orgânicos (em geral, 100% orgânicos). A alimentação viva é sempre vegetariana e, em geral, vegana (algumas vezes se utilizam mel e, menos comumente, leite de vaca cru).

Para se fazer alguns dos pratos, utilizam-se desidratadores, que “cozinham” a comida lentamente (às vezes por mais de 24 horas) sem ultrapassar essa temperatura.

No Brasil, onde adoção da alimentação viva cresce bastante a cada dia, em geral é difícil a utilização do desidratador por ser um produto importado e caro. Como alternativa a eles, utilizam-se a luz do sol, abundante em nosso país, e panelas de barro aliadas às próprias mãos para mexer os alimentos, já que assim é possível controlar a temperatura (que é aquela até a qual a mão é capaz de aguentar sem se queimar).

O Pure food and wine talvez seja o restaurante vivo mais famoso do mundo. Sua atmosfera elegante, a carta de vinhos e a inventividade dos pratos faz com que em geral as pessoas se esqueçam que estão comendo algo que não foi de fato cozido.

Ao lado, virando a esquina, eles abriram uma versão mais rápida e um pouco mais barata do restaurante: o One lucky duck, que serve alguns dos pratos que são servidos no Pure food and wine, sem falar que a comida de ambos é feita na mesma cozinha, pelas mesmas pessoas. Então, como não sou boba nem nada, escolhi ir no mais barato.

Ainda assim, os preços são salgados. Tão salgados quanto a lasanha de abobrinha que pedi. No cardápio, ela parecia tentadora: camadas de abobrinha desidratadas, com tomates, queijo de castanhas, pesto de manjericão e de tomate seco. Mas quando chegou, uma decepção: o queijo de castanhas era super pesado e o prato todo estava tão salgado e intragável que botei numa caixa e levei pra casa (no final, ninguém quis comer e acabou indo pro lixo).

Quem já esteve no Universo Orgânico, restaurante vivo da chef Thiana Rodrigues, lá no Leblon (Rio de Janeiro) e provou a lasanha viva dela, jamais aprovaria a versão do Pure food and wine.

A versão carioca é muito mais bem feita, com um delicioso queijo cremoso de macadâmia e um molho de tomate que nunca provei igual. No Festival Vegano que rolou no Rio em julho passado, essa lasanha viva deu o que falar entre meus amigos.

Mas pode ser só que eu tenha dado azar, ou pedido o prato errado. Portanto, ainda assim recomendo o Pure food and wine pra quem está a fim de conhecer a alimentação viva.

(mas também quero recomendar o Universo Orgânico, no Rio!)

Sites:

Pure food and wine: http://www.oneluckyduck.com/purefoodandwine/

Universo Orgânico: http://www.universoorganico.com/

Gobo: vista seu melhor traje

Lá fui eu, depois de um dia inteiro batendo perna, de mochila nas costas, adentrar este fino restaurante perto do Meatpacking District (local famoso pelas boates caras e lojas de estilistas descolados). Mas fui eu que me senti descolada da realidade: lá dentro, um povo arrumado que só, cheirando a muito dinheiro. Mas tudo bem, eu só ia comer uma entradinha mesmo e ir embora, já que os preços são um pouco abusivos pro meu orçamento.

O ambiente de lá é bem festivo, muito barulho de gente conversando e o povo sentado em uma grande mesa comunitária. Do salão pode-se ver a cozinha, toda pilotada por chefs orientais, e o trabalho rolando lá dentro.

Pedi uns espetinhos de seitan com molho de mostarda e chá verde. O que me impressionou bastante durante essa viagem, foi como Nova York tem uma tradição de elevar a produção de seitan a um nível nunca antes imaginado por mim. Como se pode notar pela foto, este seitan é bem diferente dos que costumamos ver em Brasília (ou no Brasil em geral). Estava uma delícia, com uma casquinha defumada de quem provavelmente foi feito na brasa.

Recomendo o Gobo para quem quiser aumentar o nível do jantar ou para uma ocasião especial em que não há muita preocupação com o dinheiro (vai que você planeja ficar noivo em NY, né?), mas também não é um preço absurdo e não-pagável, a questão é que as porções não são muito grandes, então provavelmente antes do prato principal será necessário pedir uma entrada.

Visite e conheça o cardápio: http://www.goborestaurant.com/

Sacred Chow: oásis na babilônia





Este pequeno e charmoso restaurante no Village, bairro descoladíssimo de NY, é um verdadeiro achado. Mais um da lista “recomendo fortemente pra quem for a Nova York”. Não perca!

A logo do Sacred Chow é uma vaca meditando, e o nome tem relação com “vaca sagrada” (“sacred cow”). O dono do estabelecimento, antigo chef e confeiteiro do Candle Café (anteriormente citado aqui no blog), resolveu que deveria partir para voo solo e abriu o próprio café. No início, o Sacred Chow não era vegano pois servia alguns laticínios, o que não condizia com o conceito da vaca sagrada... No entanto, com o tempo, eles passaram a ser veganos, majoritariamente orgânicos e comprometidos com os direitos humanos (os ingredientes tropicais utilizados são provenientes de comércio justo).

O simples fato de entrar no café causa uma tranquilidade imediata que raramente se encontra nessa grande metrópole. Uma grande fonte de água corre no canto do salão. A iluminação é na medida certa, bem leve. A atendente, um amor de criatura e filha de brasileira, fala tranquilamente e tem toda paciência do mundo pra explicar coisas e esperar a decisão do cliente (fato quase inexistente nos EUA).

O forte do cardápio são os tapas – palavra espanhola para tira-gostos. Tem diversas opções, e cada porção é do tamanho de um prato de sobremesa. Se pedir três, o preço unitário sai mais barato.

Outro forte é a confeitaria: a seleção se sobremesas é inacreditável (cookies, brownie com sorvete, bolos, cupcakes, docinhos, macaroons, sundae, crumble de frutas...).

Eles também servem sanduíches, saladas e deliciosas opções de brunch aos fins de semana.

Aqui a comida é mais caseira mesmo (toda feita lá), nada das carnes falsas compradas na loja oriental e recicladas na cozinha (eu já tava meio cansada dos cardápios repetitivos dos restaurantes veganos, que se baseiam nessas carnes falsas). No máximo, um seitan (nossa conhecida “carne de glúten”), mas eles também fazem por lá.

Bom, vamos ao que eu pedi (de cima para baixo):

  • Dijon marinated raw kale: um tipo de couve crespa que tem por aqui, crua e marinada no molho de mostarda dijon e maple syrup. Delícia total, raspei o prato (sem falar que fazia tanto tempo que eu não comia algo cru/vivo que meu organismo estava quase definhando).

  • Root vegetable latkes with Indonesian date butter: latkes (essas panquequinhas) de tubérculos com manteiga de tâmaras indonésia

  • Black olive seitan: imaginei que esse seitan viria com um molho de azeitonas pretas ou algo do tipo, mas qual não foi a minha surpresa ao sacar que a massa do glúten já é feita com elas, então é um seitan sabor azeitonas pretas. Bem inovador!

  • Bolo trufado de chocolate: tá eu tenho que admitir isso pro mundo: essa foi a melhor sobremesa vegana que comi na vida. Fiquei aqui dias pensando se eu não estava em dúvida entre este bolo e a sobremesa que comi no Candle 79 (será postada em breve), mas esse bolo trufado não tem comparação. É um exagero de gostoso. Tanto chocolate que nem consegui terminar. E essas nozes caramelizadas por cima... Quero nem ficar lembrando.


Ai, comi demais!!!!

Para conhecer essa maravilha de Sacred Chow, veja: http://sacredchow.com/

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Red Bamboo com Andréa (do blog Brazil Nut)





Pra quem já deu uma olhadinha ali no canto da página, existem alguns blogs e sites que eu recomendo que todos visitem. Um deles é o Brazil Nut, da Andréa N., paulista que mora em Nova York há oito anos.

Andréa, como boa vegana, entende muito bem de comida. E o marido dela faz pratos maravilhosos que ela fotografa e posta no blog (segundo Andréa, agora ela está se animando mais a também se aventurar na cozinha).

Nos conhecemos pelos nossos blogs e resolvi aproveitar a passagem por NY para conhecê-la pessoalmente para trocar figurinhas veganas.

Combinamos um jantar no Red Bamboo, um vegetariano (não vegano) da minha listinha de restaurantes a conhecer.

O Red Bamboo também tem um apelo soul food (tipo de comida já descrito aqui no blog). Muitas carnes falsas, empanados, frituras, sanduíches... Aquelas velhas delícias!

Eu fui de sanduíche de berinjela à parmegiana (empanada, com molho de tomate e queijo vegano), porque não estava com muita fome. Ledo engano. Era o maior sanduíche que já vi na vida, chega levei um susto. Levei metade pra casa.

Andréa foi de frango falso, também à parmegiana. É um dos pratos preferidos dela! Ela também costuma pedir esse mesmo prato em um outro restaurante que esqueci o nome...

De sobremesa, pedi o (un)cheesecake com cobertura de framboesa porque queria muito prová-lo, mas nós mal conseguimos comer o pobre coitado de tão denso e doce que ele era (gosto mais do que eu faço, bem mais leve...).

Conclusão: se algum dia você for ao Red Bamboo, assegure-se de que está com bastante fome.

Andréa, foi super legal te conhecer e trocar uma ideia! Espero nos encontrarmos em breve no Brasil, hein?

(na foto final, eu e Andréa)

Para ver o menu do Red Bamboo, visite: http://www.redbamboo-nyc.com/

domingo, 25 de outubro de 2009

Vegetarian Dim Sum House: comida tipicamente cantonesa





E, é claro, tinha que ser em Chinatown! Esse bairro de NY é um local que pode ser bastante desagradável para veganos, por conta da quantidade de animais servida nos restaurantes locais (alguns expostos vivos, como as lagostas) e, pior ainda, por conta dos animais mortos que ficam pendurados à venda nas lojas (ainda bem que não me deparei essa parte, mas várias pessoas me contaram).

Ainda bem que existe o Vegetarian Dim Sum House pra nos salvar! E pra quem tá a fim de uma comida típica mesmo, de verdade, do jeito que feita na China e sem ocidentalizações, é ótimo (mas também um pouco difícil de gostar à primeira prova, porque as coisas tem consistências estranhas).

Dim sum são os aperitivos que podem ser comidos no café da manhã, almoço e lanche em Hong Kong, Taiwan e outras partes do sul da China.

Por isto, neste restaurante, os fortes são as entradas: rolinhos, dumplings, arroz envolto em folha de lótus e outras diliças.

Pra começar, escolhi dois: turnip cakes (bolinhos grelhados feitos com um tipo uma raiz da família do nabo) e dumplings de vegetais ao vapor. A consistência era realmente estranha, os turnip cakes eram meio gelatinosos e os dumplings, puxentos, bem diferentes da versão americanizada servida pelo país afora.

De prato principal, pedi um arroz coberto com tofu, cogumelos e legumes. Na verdade, não gostei do tipo de tofu que eles usam, muito molenga.

Pra quem for visitar Chinatown, o Vegetarian Dim Sum House é parada obrigatória.

(não tem site)


Foodswings: fast food gordurento e delicioso





O Foodswings, em Williamsburg (Brooklyn), é um local que recomendo fortemente a todos que tiverem a oportunidade de vir a Nova York.

Pra quem gosta de hambúrguer, milk shake, nuggets e todas essas coisas maravilhosamente despreocupadas com a saúde, é um prato cheio (e beeeem menos prejudicial que fast foods convencionais).

A comida é boa que só e o milk shake, então, foi o melhor que tomei na vida (458 vezes melhor que os milk shakes feitos com leite e sorvete tradicionais).

O ambiente é estilo hardcore/rock'n'roll, com paredes pretas, pôsteres de banda e pixações por todo o canto. Bem aconchegante.

O cardápio tem de um tudo: vários tipos de hambúrguer, cachorro quente, sanduíches frios, saladas, wraps, chili, batatas fritas e sobremesas.

Quis provar novamente uma coisa que não costumo gostar: essas imitações de carne/frango/peixe. Pedi o filet of soul: “peixe” empanado e frito, queijo vegano, molho tártaro, alface e tomate no pão de hambúrguer. E ainda lancei um extra: molhinho de blue cheese vegano. Sucesso total.

The tank, o milk shake que escolhi, era simplesmente de sorvete de chocolate, cookies e peanut butter (manteiga de amendoim). Um absurdo. Uma afronta total à comida vegana sem graça servida pelos quatro cantos do nosso Brasil varonil.

De sobremesa... Uma porçãozinha de nuggets com molho barbecue. Huuuuummmmmm!!!!!

Para conhecer o Foodswings, visite: http://www.foodswings.net/

Candle Café



O Candle 79 e o Candle Café são dois restaurantes dos mesmos donos, sendo que o primeiro tem uma proposta mais chique e o segundo, uma apresentação mais simples, estilo café (isso não significa que o preço seja menor...). Ambos ficam no Upper East Side de Manhattan, a parte mais metida a besta da ilha. Na verdade não considero isto uma coisa ruim, porque acho que o veganismo tem que estar presente em todas as faixas econômicas da sociedade, para conscientizar e conquistar a todos! E, aliás, aqui tem lugares veganos em tudo quanto é canto.

Os Candles são provavelmente os veganos mais famosos do mundo (pelo menos são os que eu mais ouvi falar). Eles me foram altamente recomendados e estavam na minha listinha de imperdíveis. Novamente, a expectativa era grande.

Rumei pra lá no domingo chuvoso e muuuuito frio para um brunch. Eram 11:30 e meu estômago roncava loucamente. Queria pedir uma coisa de cada para provar, mas viajar sozinha tem dessas coisas chatas: eu não ia ter com quem dividir, e ia sobrar comida. Queria pedir waffles, tofu scramble (versão vegana do ovo mexido)... Resolvi partir para uma coisa mais substanciosa que me deixasse de pé pelas próximas horas no museu.

Pedi então um breakfast burrito, recheado de arroz, tofu scramble, feijão e couve/espinafre, coberto com vegan sour cream, salsa e guacamole, acompanhado de um mocha milk shake (de café com chocolate).

Decepção... o burrito gigantesco não estava gostoso. Essa história de virar crítica gastronômica deixa a gente muito exigente. As folhas verdes estavam amargas e não tinha nenhum sabor que balanceasse esse amargo. Nem consegui terminar!

O milk shake estava aguado. Provei outros bem melhores em DC e NY.

Mas tudo bem, valeu bastante a pena pra provar e conhecer o local.

Para conhecer o menu do Candle Café: http://www.candlecafe.com/

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Primeira experiência no Natural Gourmet Institute: o jantar de sexta-feira




Todas as sextas-feira à noite, o Natural Gourmet oferece um jantar (sempre vegano) feito pelos alunos do curso Chef's training. O cardápio é divulgado previamente no site da escola e os interessados ligam para fazer reserva e pagam no dia do jantar. O menu sempre inclui uma entrada, um prato principal e uma sobremesa.

Morria de curiosidade para saber qual o nível dos pratos oferecidos. Minha expectativa era grande. Talvez grande demais, porque acabei achando o jantar ok, mas não tão absurdamente delicioso quanto eu esperava. E as porções são bem pequenas (ainda bem que eu não estava com muita fome, senão ia rolar mau humor).

Os ingredientes dos jantares são sempre sazonais: são utilizados produtos da época. Aqui, no outono, o que mais dá são milhões de tipos de abóbora (por isso elas são o símbolo do Halloween), além de outros tubérculos e raízes, e maçãs. Portanto, estes foram os ingredientes principais do cardápio.

O cardápio foi (de cima para baixo):

  • Entrada: ravióli de abóboras com creme de castanha de caju e alho (acho que por cima do ravióli eram uns grãos de milho tostados), acompanhado de salada de folhas com vinagrete de romã. A maior surpresa do prato ficou por conta do creme de castanha de caju, loucamente cremoso e com bastante alho. Os comensais ficaram impressionados com o fato de que o creme não levava nenhum tipo de laticínio (muitos ali nem sabiam que o jantar era vegano).

  • Prato principal: Croquetes apimentados de feijão preto e seitan, guarnecidos com pimentão em coserva, redução de vinho tinto, couve com cebola e alho e legumes da época assados. Achei sem graça. As beterrabas não estavam bem assadas e estes bolinhos eram bem normais. Acho que no Brasil fazemos croquetes/bolinhos melhores!

  • Sobremesa: Panna Cota de baunilha fresca coberta com maçãs caramelizadas e nozes pecã adocidadas (provavelmente com néctar de agave ou algum outro adoçante natural). Acho que este foi o prato mais bem elaborado. Os cubinhos de maçã estavam crocantes por fora e macios por dentro e a calda estava deliciosa.

Valeu a pena para conhecer como funcionava o jantar. Para quem trabalha com culinária, é sempre bom conhecer novas propostas para ter inspiração para novas ideias.

Para conhecer o Natural Gourmet Institute: http://www.naturalgourmetinstitute.com/

domingo, 11 de outubro de 2009

Soul Food vegana


O conceito de soul food é uma coisa bem peculiar: é a comida típica criada pela população negra do sul dos Estados Unidos. As pessoas têm bastante apego a este tipo de comida, porque este estilo é pai dos pratos conhecidos como comfort food, ou a comida que traz conforto, faz lembrar da infância, da mãe cozinhando, etc.

Inclusive existe um programa no Food Network Channel (siiiim!!!! canal de TV só de culinária!!!!) que é um casal negro que prepara praticamente só soul food. No único episódio que assisti, eles fizeram churrasco de porco (credo), espigas de milho na brasa com molho barbecue (BBQ), maionese de batatas (que eles chamam de “salada”) e sorvete de batata doce.

Pra dizer a verdade, eu não sei bem dizer que pratos são soul food além de churrasco, mac & cheese (macarrão com queijo), greens (couve e folhas similares cozidas em água), coisas com molho BBQ e diferentes tipos de batata. Mas imagino que deva haver mais que isso!

Pois bem, aqui em DC existem dois restaurantes veganos especializados em soul food: Senbeb e Soul Vegetarian.

Há muito pouco tempo, quando eu estava dando uma corrida pelas redondezas da onde estou hospedada, descobri que o Senbeb fica simplesmente pertíssimo de casa. Alegria! Um lugar totalmente vegano para comer quando estou com preguiça de cozinhar/pegar o metrô pra longe! Porque, na verdade, a uma distância caminhável de casa existem também outras opções de refeições veganas, mas em restaurantes onívoros - como o Mark's Kitchen, com seus deliciosos bolinhos de tofu, dumplings, hambúrgueres, lasanha, milk shakes; o Roscoe's, pizzaria com opção de queijo vegano; e o Middle Eastern, com comida árabe.

O Senbeb tem um cardápio pequeno, composto de alguns tipos de sanduíche (o veggie burger que a Simone pediu foi o melhor que comi por aqui), dois pratos quentes e alguns pratos vivos (crus), e um ambiente não muito amigável. Isso merece uma nota da autora:

Nota: aqui nos EUA, curiosamente, existe um movimento de empoderamento (empowerment) da população negra de classe baixa que, pasmem, envolve a adoção da dieta vegana. Portanto, estes dois restaurantes são de pessoas negras deste movimento e têm uma clientela quase que exclusivamente negra.

Bom, então continuando, quando eu e Simone fomos almoçar lá, não fomos recebidas com muita simpatia. Afinal de contas, não somos pessoas que eles consideram como parte da comunidade negra. A atendente fez uma cara de bunda jamais antes vista. Mas tudo bem! Já esperávamos isso: Simone tinha estado no Soul Vegetarian e foi tratada da mesma forma.

Não ligamos, fizemos nosso pedido e nos deliciamos com o almoço servido em embalagem descartável de isopor (nada sustentável! nota zero pra eles!).

Eu fui de soul food, pra manter a tradição: um delicioso tofu com molho BBQ (caseiro), servido sobre arroz, saladinha crua pra acompanhar (veio a calhar) e a comfort food mais amada dos EUA: mac & cheese (macaronni and cheese).

O mac & cheese vegano é geralmente feito com tofu, para dar a cremosidade e a impressão de queijo esmigalhado, e nutritional yeast flakes (no Brasil é traduzido como levedo de cerveja em flocos, mas não tenho certeza de que seja a mesma coisa), que tem um aroma forte de queijo.

Algo irônico aconteceu hoje: eu estava em um evento, o Green Festival, como voluntária na mesa do Compassion Over Killing. Quem apareceu por lá? A atendente com cara de bunda. Impressionantemente, ela começou a bater papo comigo e se revelou uma pessoa muito doce e simpática, e inclusive me falou que já morou no Brasil por dois anos (no Rio). Espero ser mais bem tratada no Senbeb daqui pra frente!

Para saber mais:

Food Network: http://www.foodnetwork.com/

Mark's Kitchen: http://www.markskitchen.com/

Uma foto de nutritional yeast flakes: http://www.all-creatures.org/recipes/images/i-yeast-nutr.jpg

(Roscoe's, Middle Eastern, Soul Vegetarian e Senbeb não têm site na internet)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Comida de Burma (ou Mianmar)






O que mais me fascina aqui nos EUA é a variedade de comidas típicas que se pode encontrar. Devido à densa imigração de pessoas de vários países, existe todo tipo de comida possível e imaginável. E o legal é que se criou uma cultura entre a população de se experimentar e apreciar estas variedades.

Fomos ontem a este restaurante, relativamente perto de casa, que se chama Mandalay. A comida é típica de Mianmar, ou Burma. Pra começar, eu nem sabia que Mianmar também se chamava Burma, e nem sabia muito bem sua localização, só sabia que era na Ásia (faz fronteira com Tailândia, Laos, China, Índia, Bangladesh e Oceano Índico).

A comida é deliciosa, super caseira e barata (relativamente aos preços daqui).

Como é comum entre outros restaurantes de comida típica da cidade, o cardápio tinha uma seção de pratos vegetarianos (todos veganos), inclusive três sobremesas.

Pedimos os seguintes pratos (de cima para baixo):

  • Tofu MoteNyinChin Gyaw: tofu salteado com mostarda azeda, cebola e coentro

  • Nyat KaukSweGyaw: macarrão largo e achatado, refogado com feijões amarelos (Vatana), brotos de feijão, corações de alface romana, amendoins e tofu levemente frito

  • Tofu Ohnno Hin: tofu levemente frito, pimentões verdes, cebolas e tomates com molho de creme de coco e curry

  • Espécie de torta de arroz grudentinho com açúcar mascavo e coco

  • Sorvete de abacaxi à base de leite de coco, servido em mini-abacaxi

Para conhecer o delicioso cardápio do Mandalay, visite: http://mandalayrestaurantcafe.com/menu.html.

Bar vegetariano


Você, que é um vegano apreciador de teores alcóolicos (tipo meu amigo Guilherme), já se imaginou tomando uma biritinha pacificamente sem ter que conviver com porções de pescoço de peru, picanha na chapa, frango a passarinho e moela (que eu nem sei o que vem a ser) da mesa ao lado???

Pois bem, no Science Club isso é possível, já que ele é um bar e lounge vegetariano.

Tá certo que não vem a ser um daqueles agradáveis butequinhos brasileiros, mais descompromissados e descontraídos, e sim um lugar mais sóbrio, com cara de pub e drinques a preços salgadinhos.

Bom, pelo menos não vai ter moela.

Em lugar disso, guacamole com tortillas, sopas, tabule, hommus e veggie burger.

E o melhor de tudo é que ele fica nessa casinha de três andares em plena avenida lotada de prédios altos comerciais.

Já sabia da existência mas ainda não visitei o local. Um belo dia estava caminhando pra ir almoçar e me deparei com ele, foi aí que tirei a foto.

Tá na minha listinha de lugares a conhecer.

Para ver o menu do Science Club, acesse: http://www.scienceclubdc.com/.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Asian Bistro Cafe: nuggets?


Fomos, depois de pegar um cineminha no qual estava simplesmente Michal Moore para a première de seu novo filme e do qual só conseguimos ver a silhueta (quem quisesse vê-lo de verdade tinha que pagar pra ver o filme dele), num restaurante asiático daqueles que vc passa do lado de fora e não dá muita coisa por ele (em termos de comida vegana).

No entanto, o Asian Bistro café tem uma seção inteiramente vegana no cardápio, repleta de coisinhas gostosas e carnes falsas, incluindo porco, frango, pato e camarão (medo!).

Na minha pura inocência e ledo engano, achei que não queria comer muito e pedi apenas uma porção de dumplings (deliciosos bolinhos cozidos no vapor, já destacado aqui no blog). Mas quando chegou o prato da Cissa (sweet & sour chicken)... ai meu jah. Que cara boa tinha esse negócio! Acho que comi metade do prato dela.

Parece... NUGGETS do McDonald's!!! E com aquele molho barbecue, ainda por cima.

Sei que é amedrontador que algo que se pareça com comida do McDonald's seja gostoso. Mas é. E muito!

Para conhecer o cardápio vegetariano do Asian Bistro café, visite: http://www.asianbistrocafe.com/dinner_menu2.html

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Comida da Etiópia



Segure sua piadinha: “ué, e tem comida lá?”, que é o que todos dizem, porque a comida típica etíope te surpreenderia e te faria se arrepender da piada!

Aqui em DC os etíopes são uma das maiores populações de imigrantes da cidade. Portanto, é um restaurante etíope a cada esquina.

Eu estava muito curiosa pra provar, então fomos em um dos melhores da cidade, no bairro de Adam's Morgan (onde fica a agitação noturna).

Foi uma surpresa: a comida tem um conceito e uma apresentação muito simples, mas é muito saborosa.

Os legumes são muito valorizados por variadas preparações e temperos. Também existem alguns pratos com carne, mas os legumes definitivamente são as estrelas. Essa porção vermelhinha, por exemplo, estava s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l! Segundo a pessoa que nos atendeu, é uma pasta de grão-de-bico (provavelmente batida com tomate ou alguma especiaria avermelhada), com um tempero muito marcante e levemente picante.

Eles são servidos em um enjera, grande e saboroso pão circular e achatado, com uma consistência que eu nunca havia visto antes, puxento e suave ao mesmo tempo. Este pão é feito a partir da farinha de teff, que é considerado o menor cereal do mundo e um dos mais ricos nutricionalmente, cultivado e consumido há centenas de anos pelos etíopes (taí o segredo da boa forma dos etíopes aliada à sua resistência física nos esportes). Agora o teff ganhou o mundo e é vendido em mercados de produtos naturais aqui nos EUA (e, portanto, teve seu preço muito aumentado, inclusive para os etíopes).

O prato é servido em uma mesinha baixa ao centro dos comensais, que se sentam em círculo ao redor dela. Os legumes vem em diferentes formas (purês, refogados, pastas, crus), com diferentes temperos. Você vai pegando porções dos legumes com um pedaço de enjera (não se usam talheres), até que eles acabem. Ao final, come-se o pão que ficou por baixo e absorveu todos os temperos.

Uma comida muito lúdica, eu diria!

Recebi pedidos insistentes para introduzir a comida etíope no Brasil. Eu diria que, mais que interessante, é extremamente necessário, pois nosso país precisa conhecer essa delícia!!!

Até agora, a comida etíope foi uma das maiores (boas) surpresas dessa viagem.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Vegetate: mais pratos





De cima para baixo:

Prato principal do Bruno: risoto com legumes, cogumelos, curry caseiro e leite de coco.

Prato principal da Cissa: berinjelas empanadas em cerveja e batatas fritas com molho tártaro vegano.

Prato principal da Simone: Nhoque de batatas azuis (sim, existe isso aqui),com brocólis, couve-flor romanesco (?) e molho cremoso de tomate.

Minha sobremesa: ganache de chocolate amargo com nozes tostadas e coulis de berry da época (não sei qual era essa aí do prato!). “Berry” é uma referência às frutinhas: blueberry (mirtilo), raspberry (framboesa), blackberry (amora), strawberry (morango), cranberry, etc.

S-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Vegetate: alguns pratos





De cima para baixo:

Aperitivo: Edamame, que é o grão de soja fresco e cozido.

Minha entrada: Beterrabas douradas marinadas com manteiga de amêndoas, óleo de semente de coentro e croustade grelhado (não me pergunte o que é essa última coisa! só sei que era muito bom). Infelizmente a foto não ficou boa, porque não transmite verdadeiramente o prato, que era um escândalo de gostoso.

Meu prato principal: polenta grelhada com feijões apimentados, redução de vinho e frutas da época e cebolas crocantes.

Entrada da Cissa: Abobrinha cabelo de anjo com feijões frescos, pesto de nozes e queijo (tá, o prato não é vegano, mas eu queria ilustrar o conceito. Além disso, era possível pedir a versão vegana, sem queijo por cima).