domingo, 25 de outubro de 2009

Candle Café



O Candle 79 e o Candle Café são dois restaurantes dos mesmos donos, sendo que o primeiro tem uma proposta mais chique e o segundo, uma apresentação mais simples, estilo café (isso não significa que o preço seja menor...). Ambos ficam no Upper East Side de Manhattan, a parte mais metida a besta da ilha. Na verdade não considero isto uma coisa ruim, porque acho que o veganismo tem que estar presente em todas as faixas econômicas da sociedade, para conscientizar e conquistar a todos! E, aliás, aqui tem lugares veganos em tudo quanto é canto.

Os Candles são provavelmente os veganos mais famosos do mundo (pelo menos são os que eu mais ouvi falar). Eles me foram altamente recomendados e estavam na minha listinha de imperdíveis. Novamente, a expectativa era grande.

Rumei pra lá no domingo chuvoso e muuuuito frio para um brunch. Eram 11:30 e meu estômago roncava loucamente. Queria pedir uma coisa de cada para provar, mas viajar sozinha tem dessas coisas chatas: eu não ia ter com quem dividir, e ia sobrar comida. Queria pedir waffles, tofu scramble (versão vegana do ovo mexido)... Resolvi partir para uma coisa mais substanciosa que me deixasse de pé pelas próximas horas no museu.

Pedi então um breakfast burrito, recheado de arroz, tofu scramble, feijão e couve/espinafre, coberto com vegan sour cream, salsa e guacamole, acompanhado de um mocha milk shake (de café com chocolate).

Decepção... o burrito gigantesco não estava gostoso. Essa história de virar crítica gastronômica deixa a gente muito exigente. As folhas verdes estavam amargas e não tinha nenhum sabor que balanceasse esse amargo. Nem consegui terminar!

O milk shake estava aguado. Provei outros bem melhores em DC e NY.

Mas tudo bem, valeu bastante a pena pra provar e conhecer o local.

Para conhecer o menu do Candle Café: http://www.candlecafe.com/

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Continuação da aula mostly vegetarian cooking techniques






Para o jantar, fizemos (de cima para baixo):

  • salada asiática com molho de amendoim

  • caldo de shitakes

  • polenta de milheto e batata-doce e molho de feijão azuki (juntos, no prato)

  • pêras caramelizadas com suco de romãs e amêndoas (novamente, com xarope de arroz integral)

Na foto final, a chef e os alunos do curso.

Primeira aula no Natural Gourmet: mostly vegetarian cooking techniques





Traduzindo: técnicas culinárias em sua maioria vegetarianas. Por que “em sua maioria”? Porque um dos pratos ensinados levava peixe (me afastei um pouco nessa hora, não suporto aquele cheiro e o visual da coisa). Os demais pratos eram veganos.

Essa é uma aula ministrada em dois sábados, por 7 horas cada dia.

Na parte da manhã são ensinados os pratos e sobremesa que são comidos na hora do almoço e, à tarde, fazemos o jantar.

Os alunos ajudam na preparação: cortamos os legumes e frutas a serem utilizados (para treinar as técnicas de corte ensinadas), depois a chef cozinha os pratos, mostrados passo-a-passo, no balcão da cozinha, enquanto os alunos assistem.

Na primeira foto acima, a chef Alexandra Borgia mexendo o cozidão.

Para o almoço, tivemos (de cima para baixo):

  • espetinhos de tempeh marinados em molho de shoyu, gengibre...

  • brocólis ao alho, arroz negro e cozido de legumes (juntos, no prato)

  • maçãs caramelizadas com noz pecã (não foi utilizado açúcar para caramelizá-las, e sim xarope de arroz integral)

Primeira experiência no Natural Gourmet Institute: o jantar de sexta-feira




Todas as sextas-feira à noite, o Natural Gourmet oferece um jantar (sempre vegano) feito pelos alunos do curso Chef's training. O cardápio é divulgado previamente no site da escola e os interessados ligam para fazer reserva e pagam no dia do jantar. O menu sempre inclui uma entrada, um prato principal e uma sobremesa.

Morria de curiosidade para saber qual o nível dos pratos oferecidos. Minha expectativa era grande. Talvez grande demais, porque acabei achando o jantar ok, mas não tão absurdamente delicioso quanto eu esperava. E as porções são bem pequenas (ainda bem que eu não estava com muita fome, senão ia rolar mau humor).

Os ingredientes dos jantares são sempre sazonais: são utilizados produtos da época. Aqui, no outono, o que mais dá são milhões de tipos de abóbora (por isso elas são o símbolo do Halloween), além de outros tubérculos e raízes, e maçãs. Portanto, estes foram os ingredientes principais do cardápio.

O cardápio foi (de cima para baixo):

  • Entrada: ravióli de abóboras com creme de castanha de caju e alho (acho que por cima do ravióli eram uns grãos de milho tostados), acompanhado de salada de folhas com vinagrete de romã. A maior surpresa do prato ficou por conta do creme de castanha de caju, loucamente cremoso e com bastante alho. Os comensais ficaram impressionados com o fato de que o creme não levava nenhum tipo de laticínio (muitos ali nem sabiam que o jantar era vegano).

  • Prato principal: Croquetes apimentados de feijão preto e seitan, guarnecidos com pimentão em coserva, redução de vinho tinto, couve com cebola e alho e legumes da época assados. Achei sem graça. As beterrabas não estavam bem assadas e estes bolinhos eram bem normais. Acho que no Brasil fazemos croquetes/bolinhos melhores!

  • Sobremesa: Panna Cota de baunilha fresca coberta com maçãs caramelizadas e nozes pecã adocidadas (provavelmente com néctar de agave ou algum outro adoçante natural). Acho que este foi o prato mais bem elaborado. Os cubinhos de maçã estavam crocantes por fora e macios por dentro e a calda estava deliciosa.

Valeu a pena para conhecer como funcionava o jantar. Para quem trabalha com culinária, é sempre bom conhecer novas propostas para ter inspiração para novas ideias.

Para conhecer o Natural Gourmet Institute: http://www.naturalgourmetinstitute.com/

Nova York: começo da aventura vegana


Ah... Nova York... A cidade que talvez tenha o maior número de opções veganas no mundo! É realmente um privilégio estar aqui (e uma armadilha para o bolso e a pança).
Mas é impossível não enlouquecer com as delícias que a cidade oferece!
O motivo principal da minha vinda a Nova York (e também aos EUA) tem nome e endereço: Natural Gourmet Institute, uma escola de culinária focada em alimentação natural, orgânica e, acima de tudo, no requinte gastronômico (nada de naturebice por lá!). Me inscrevi em algumas das aulas públicas da escola (porque além disso eles oferecem um treinamento de chefs que dura alguns meses e custa, pasmem, 20 mil dólares. Sem chance.). O preço das aulas não é uma bagatela, de forma alguma, mas achei que valia a pena, principalmente para conhecer a proposta e a maneira como as aulas são ministradas.
O outro motivo, é lógico, também era conhecer os maravilhosos restaurantes veganos e vegetarianos da cidade, alguns mundialmente famosos, como o Candle 79.
Para começar, antes de vir, comprei o The vegan guide to New York City, para saber exatamente que restaurantes escolher e suas localizações.
O guia foi escrito por Rynn Berry e Chris Abreu-Suzuki. Rynn é especialista em história do vegetarianismo e até já foi entrevistado pela brasileira Revista dos Vegetarianos. Ele conhece o Brasil e inclusive há uma menção no guia ao restaurante vegano Vegethus, em São Paulo, na opinião dele, um dos melhores do mundo.
Acompanhem então os próximos posts sobre os restaurantes visitados e as aulas de culinária.
PS: agradecimentos mais que especiais às minhas anfitriãs na cidade: Ju Caldas, Nina, Moema, Fabi e Claire. Valeu, meninas! Sem vocês essa experiência não seria possível.
Para saber mais:
- Vegan Guide to New York City: http://www.amazon.com/Vegan-Guide-New-York-City/dp/0962616982
- Revista dos vegetarianos: http://www.europanet.com.br/vegetarianos/index.php?

domingo, 11 de outubro de 2009

Soul Food vegana


O conceito de soul food é uma coisa bem peculiar: é a comida típica criada pela população negra do sul dos Estados Unidos. As pessoas têm bastante apego a este tipo de comida, porque este estilo é pai dos pratos conhecidos como comfort food, ou a comida que traz conforto, faz lembrar da infância, da mãe cozinhando, etc.

Inclusive existe um programa no Food Network Channel (siiiim!!!! canal de TV só de culinária!!!!) que é um casal negro que prepara praticamente só soul food. No único episódio que assisti, eles fizeram churrasco de porco (credo), espigas de milho na brasa com molho barbecue (BBQ), maionese de batatas (que eles chamam de “salada”) e sorvete de batata doce.

Pra dizer a verdade, eu não sei bem dizer que pratos são soul food além de churrasco, mac & cheese (macarrão com queijo), greens (couve e folhas similares cozidas em água), coisas com molho BBQ e diferentes tipos de batata. Mas imagino que deva haver mais que isso!

Pois bem, aqui em DC existem dois restaurantes veganos especializados em soul food: Senbeb e Soul Vegetarian.

Há muito pouco tempo, quando eu estava dando uma corrida pelas redondezas da onde estou hospedada, descobri que o Senbeb fica simplesmente pertíssimo de casa. Alegria! Um lugar totalmente vegano para comer quando estou com preguiça de cozinhar/pegar o metrô pra longe! Porque, na verdade, a uma distância caminhável de casa existem também outras opções de refeições veganas, mas em restaurantes onívoros - como o Mark's Kitchen, com seus deliciosos bolinhos de tofu, dumplings, hambúrgueres, lasanha, milk shakes; o Roscoe's, pizzaria com opção de queijo vegano; e o Middle Eastern, com comida árabe.

O Senbeb tem um cardápio pequeno, composto de alguns tipos de sanduíche (o veggie burger que a Simone pediu foi o melhor que comi por aqui), dois pratos quentes e alguns pratos vivos (crus), e um ambiente não muito amigável. Isso merece uma nota da autora:

Nota: aqui nos EUA, curiosamente, existe um movimento de empoderamento (empowerment) da população negra de classe baixa que, pasmem, envolve a adoção da dieta vegana. Portanto, estes dois restaurantes são de pessoas negras deste movimento e têm uma clientela quase que exclusivamente negra.

Bom, então continuando, quando eu e Simone fomos almoçar lá, não fomos recebidas com muita simpatia. Afinal de contas, não somos pessoas que eles consideram como parte da comunidade negra. A atendente fez uma cara de bunda jamais antes vista. Mas tudo bem! Já esperávamos isso: Simone tinha estado no Soul Vegetarian e foi tratada da mesma forma.

Não ligamos, fizemos nosso pedido e nos deliciamos com o almoço servido em embalagem descartável de isopor (nada sustentável! nota zero pra eles!).

Eu fui de soul food, pra manter a tradição: um delicioso tofu com molho BBQ (caseiro), servido sobre arroz, saladinha crua pra acompanhar (veio a calhar) e a comfort food mais amada dos EUA: mac & cheese (macaronni and cheese).

O mac & cheese vegano é geralmente feito com tofu, para dar a cremosidade e a impressão de queijo esmigalhado, e nutritional yeast flakes (no Brasil é traduzido como levedo de cerveja em flocos, mas não tenho certeza de que seja a mesma coisa), que tem um aroma forte de queijo.

Algo irônico aconteceu hoje: eu estava em um evento, o Green Festival, como voluntária na mesa do Compassion Over Killing. Quem apareceu por lá? A atendente com cara de bunda. Impressionantemente, ela começou a bater papo comigo e se revelou uma pessoa muito doce e simpática, e inclusive me falou que já morou no Brasil por dois anos (no Rio). Espero ser mais bem tratada no Senbeb daqui pra frente!

Para saber mais:

Food Network: http://www.foodnetwork.com/

Mark's Kitchen: http://www.markskitchen.com/

Uma foto de nutritional yeast flakes: http://www.all-creatures.org/recipes/images/i-yeast-nutr.jpg

(Roscoe's, Middle Eastern, Soul Vegetarian e Senbeb não têm site na internet)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Comida de Burma (ou Mianmar)






O que mais me fascina aqui nos EUA é a variedade de comidas típicas que se pode encontrar. Devido à densa imigração de pessoas de vários países, existe todo tipo de comida possível e imaginável. E o legal é que se criou uma cultura entre a população de se experimentar e apreciar estas variedades.

Fomos ontem a este restaurante, relativamente perto de casa, que se chama Mandalay. A comida é típica de Mianmar, ou Burma. Pra começar, eu nem sabia que Mianmar também se chamava Burma, e nem sabia muito bem sua localização, só sabia que era na Ásia (faz fronteira com Tailândia, Laos, China, Índia, Bangladesh e Oceano Índico).

A comida é deliciosa, super caseira e barata (relativamente aos preços daqui).

Como é comum entre outros restaurantes de comida típica da cidade, o cardápio tinha uma seção de pratos vegetarianos (todos veganos), inclusive três sobremesas.

Pedimos os seguintes pratos (de cima para baixo):

  • Tofu MoteNyinChin Gyaw: tofu salteado com mostarda azeda, cebola e coentro

  • Nyat KaukSweGyaw: macarrão largo e achatado, refogado com feijões amarelos (Vatana), brotos de feijão, corações de alface romana, amendoins e tofu levemente frito

  • Tofu Ohnno Hin: tofu levemente frito, pimentões verdes, cebolas e tomates com molho de creme de coco e curry

  • Espécie de torta de arroz grudentinho com açúcar mascavo e coco

  • Sorvete de abacaxi à base de leite de coco, servido em mini-abacaxi

Para conhecer o delicioso cardápio do Mandalay, visite: http://mandalayrestaurantcafe.com/menu.html.